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  • felipetazzo

O escritor pode ganhar na loteria

Mas sinceramente, não no Brasil.


Não é que o Brasil não seja um país de leitores. Ou de pessoas cultas. Isso é preconceito seu. No Brasil editoras sobrevivem. Autores sobrevivem. Livrarias foram sufocadas pela Amazon, não por falta de leirores. Adolescentes lêem sim, e muito. Vai no wattpad e testemunhe os números.


O Brasil não é um país de consumo. Nós não compramos toneladas de tranqueiras. E nem toneladas de coisas boas. Toneladas de nada. E vamos ter que viver com o fato de que isso se extende aos livros. A gente não tem dinheiro, caralho! Aí é claro que entre pagar o aluguel e comprar livros, adivinha quem sai perdendo?


Todo mundo, mas depois a gente fala disso.


Na gringa, leia-se EUA e Europa, compra-se muitos mais livros do que aqui. Aliás, lá se compra de tudo muito mais do que aqui.


Ao mesmo tempo, nos EUA estima-se que publica-se 2,2 milhões de livros novos por ano. Vai mofar coisa na prateleira. A não se que os astros se alinhem e um autor fique rico. E a Reese Whiterspoon é uma especialista em alinhar estrelas para autores.


Nos EUA, celebridades fazem bookclubs. Clubes de livros. Para nós, mortais, isso seria como combinar com meia dúzia de amigos comprar o mesmo livro, ler e juntar para discutir. Se te parece coisa de dona de casa entediada, é porque era mesmo. A bastiã desse trem aí foi a Oprah. Mas a Reese, meu amigo, a Reese...

Para começo de conversa, ela caprichou para ganhar a corrida dos bookclubs. As personagens dela estão sempre lendo e conquistando o mundo por causa disso. E ela ativamente falava de livros em suas redes sociais. E daí em diante ela começou a domesticar seu clubinho. E daí que o clubinho dela é o ó con cur da coisa. E daí que quando ela fala "migas, vamos ler o livro tal" as vendas, obviamente explodem.


Mas aí vem a pergunta: essa embaixatriz da cultura faz isso por amor à arte e pelo altruísmo de ajudar o artista miserável?


"Claro que não, né, Felipe! Ela deve ganhar uma porcentagem das vendas dos livros!"


Ai, tolinho. Você subestima o poder do americano. Pense mercado! Pense marketing! Pense império multimilionário!


O clubinho pode até parecer a oportunidade de ser a besty da Reese. A real é que ele é administrado pela Hello Sunshine, a produtora da Srta Whiterspoon. Essa produtora de conteúdo multimídia digital pica das galáxias recomenda livros sim. Mas também retém por contrato o que eles lá chamam first option para direitos audiovisuais. Tá lá você, escritor vendendo mil livros aqui, mil no outro semestre, de repente cai essa bomba no seu colo e sua tiragem aumenta para cem mil aqui, cem mil ali. Antes disso acontecer, você já assinou um contrato com no qual se alguém pensar em fazer filme, série, audiolivro, show, musical ou até uma apresentação de power point, quem vai ganhar dinheiro com isso são eles. Ou, no mínimo, eles serão os primeiros a serem consultados e podem abrir mão disso.


Só que, é claro, a HS não abre mão se o seu livro estiver vendendo horrores, o que significa que também venderá bem nas bilheterias ou streaming. E como a HS também é uma produtora, eles podem eles mesmo tocar o projeto adiante estrelando quem? Sim, ela.


Fazer um filme não é jogo rápido então entre o mês que seu livro foi recomendado e a estréia, tem ali uns dois ou três anos. Nesse período, a peteca não pode cair, então seu livro tem que continuar vendendo.


Escritor não tem como ficar mais feliz do que isso. Aliás, escritor não. Só as escritoras. O clube do livro só recomenda livros escritos por mulheres e com histórias que tenham mulheres como tema central.


Eles sabem fazer dinheiro por lá. Nós aqui, por enquanto, não temos nem uma indústria de produção literária e nem uma indústria de audiovisual. Com sorte meu livro cai no vestibular. Se muito vira peça de teatro!



Para terminar a fofoca. Em 2021 Reese Whiterspoon e seu sócio venderam parte da Hello Sunshine por 900 milhão de doleta.


É mole?

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