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6 de Novembro
Amor e Ódio
Antes eu assinava a Trip, a Rolling Stone e a Veja, hoje, apenas as duas últimas. A Veja assino porque é uma leitura leve e porque ela trata de assuntos que eu acabo perdendo no meu dia a dia, mesmo que as opiniões dela não sejam grande coisa. As outras duas eu assino (assinava), porque elas me fazem me sentir mal.
Tanto a Rolling Stone quanto a Trip são revistas que contam ao mundo os grades feitos das pessoas. O jornalismo francamente puxa-saco da Trip e o tom literário hiperbólico da Rolling Stone fazem com as conquistas dos caras e moças que estão naquelas páginas parece ainda maior. Como por exemplo a de uma pirralha cheia de talento chamada Mallu Magalhães, que está com um disco gravado e fazendo parcerias com Marcelo Camelo aos 16 anos de idade. Ou Speranza Spalding, contrabaixista, cantora, linda que dá raiva e professora de música em Harvard aos 23 anos.
Não fossem essas publicações hediondas para pisar no meu ego, eu provavelmente não tivesse assinado hoje a compra do meu apartamento. Mundo livre aqui vou eu. Pobreza, aqui vou eu. Mas, com o meu cantinho distante onde eu posso fumar charutos e escrever solitário madrugada a dentro.
Sem essas revistas eu também talvez tivesse abandonado o blog e as pretensões literárias há tempos também.
É, eu levo esse lance de motivação super a sério...
Notas sobre a educação
Mamãe ensinou fazer diferente, e eu também aprendi a odiar pessoas que não têm noção de coletividade. Pode não parecer muito grave, mas na hora em que você está sendo atendido no banco ou na loja da sua operadora preferida, alguém passa a sua frente e, como se fosse sua obrigação dar passagem, diz "é só uma dúvida rápida".
Me perdoem, mas eu não aceito isso com facilidade, afinal, o meu atendimento também é bem rápido, eu garanto.
Porém, às vezes a gente se pega no outro lado da moeda e, eu confesso, pequei. Passei na frente da fila, já com a minha senha na mão e perguntei para o atendente se ali, na frente daquele legião de pessoas, eles fariam o desbloqueio de um aparelho de celular para aceitar chips de outras operadoras.
- Não, não fazemos. Só na loja do centro.
Como?
- E às segundas, terças, quartas e sextas.
- Segundas, terças, quartas e sextas? - repeti embasbacado. Surreal demais!
- Sim, às quintas e sábados não faz.
Amassei a senha, imaginando que aquele papelzinho pudesse ser o pescoço do mané que me explicava essa bizarra agenda semanal como se tudo fosse muito lógico e sai da loja direto para o Bob's pedir um milkshake de Ovaltine médio para aplacar a fúria que eu deixei de sentir por não ter ficado naquela fila enorme com a maldita senha na mão antes de ouvir aquela resposta.
É a ética brasileira deixando a desejar, ou melhor a ética brasileira em sua excelência e a moral brasileira deixando muito a desejar. Afinal, os outros não podem, mas eu posso.
É, eu não sou tarefa simples.